quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A pressa é a maior inimiga do jornalismo

Em agosto de 2014, fiz uma matéria sobre um caso que repercutiu bastante, envolvendo uma das principais redes privadas de hospitais do país.
Desde então, tenho acompanhado a história. Após o caso, um familiar envolvido criou um movimento para divulgar situações semelhantes. Ele envia e-mails regularmente para alguns jornalistas com informações que consegue checar. Em dezembro, recebi um e-mail dele dizendo que a Polícia Civil havia concluído o inquérito e 5 médicos haviam sido indiciados. Procurei a Polícia Civil, mas como o caso já havia sido enviado ao MP, os detalhes da investigação, como os nomes dos indiciados, não poderiam ser divulgados. O promotor que estava com o caso também disse que só divulgaria as informações após o fim da apuração dos culpados. Após os órgãos oficiais negarem os detalhes, conversei com a minha chefe, e logo chegamos à conclusão que ali não existia o fundamental para fazermos a reportagem. Mas após algumas horas, fui surpreendido com a notícia em duas emissoras de TV, uma rádio e um jornal, citando o nome dos possíveis cinco indiciados por homicídio culposo. Mas qual fonte foi utilizada? O mesmo e-mail que recebi do familiar. Nenhuma empresa do grupo no qual trabalho deu a notícia. Mas não foi algo acordado, acredito que todos os chefes de redação do grupo perceberam o mesmo que eu e minha chefe.
Na última terça-feira, saiu a decisão do Ministério Público Estadual: quatro médicos foram denunciados.
Praticamente todas as empresas do grupo fizeram a matéria após a divulgação do posicionamento oficial do MP.
Gravei com o familiar novamente e perguntei em off: "Como os outros veículos de comunicação fizeram para ter os nomes?"
Ele respondeu: "Eles não confirmaram, apenas copiaram e colaram o meu e-mail."
Dormi tranquilo ontem, pois não divulguei o nome de uma quinta pessoa que para as autoridades é inocente.

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