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domingo, 21 de outubro de 2018

O final fica por sua conta...

Neste domingo, fui ao terceiro enterro no prazo de 10 dias, pois três grandes amigos perderam entes muito próximos. O primeiro perdeu o tio/padrinho num acidente de carro, após perder o controle do veículo e bater numa árvore. O segundo perdeu a avó, a pessoa mais importante da vida dele. Ela disse que não estava sentindo-se bem, deitou no colo de uma das filhas e deu o suspiro derradeiro. O terceiro e último, meu amigo desde o berço, passou horas procurando o pai, que havia saído antes do almoço para fazer compras. Ele só o encontrou às 21h30, no IML. Passou mal voltando pra casa e o coração não resistiu.
Três pessoas que não tiveram a chance de se despedir, de dar um beijo, de abraçar forte... Três pessoas que acordaram pensando que seria só mais um dia, não o último.
Essa é a vida, bela, intensa e compartilhável, porém, fugaz.
Os três partiram sem levar nada palpável daqui, mas deixaram riquezas incalculáveis dentro dos meus amigos e dos demais entes queridos.
Este até poderia ser mais um texto enorme que escrevo, mas acho que neste caso, a minha opinião/reflexão não tem valor algum pra outra pessoa. É só uma questão de interpretar a vida. Deixo essa publicação inacabada para que você, que dedica alguns minutos aos meus devaneios, conclua da forma que quiser. Se refletir, aja, beije, abrace e ame! Caso contrário, tenha um bom dia amanhã, pois será apenas mais um.

P.S.: Enquanto escrevia, essa música do síndico veio-me à cabeça:

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A solução é a despedida

Sou fruto de miscigenação curiosa. Nasci no Rio de Janeiro, mas meu saudoso pai era filho de uma capixaba com um italiano. Já a minha mãe é paraibana. Por causa dessa improvável árvore genealógica, cresci sem ter contato com avós, tios, primos e demais familiares. Mas desde pequeno tive a compensação, e que compensação! Tenho os melhores amigos do mundo e suas famílias acabam sendo minhas também! Mas há cerca de 10 anos, se iniciou um fenômeno que parece não ter fim: a maior parte dos meus amigos de longa data desistiu do Rio de Janeiro.
Começou no início de 2009, quando um grande amigo, que fiz na época de coordenação de Crisma, aceitou uma boa proposta de emprego e foi morar em Guarulhos. Nossa amizade foi muito além da igreja. Durante o auge da nossa adolescência, ele foi meu principal companheiro de aventuras. Foi com ele que fundei a ‘Turbinol’, a banda que só fez um show. Em 2011, fui a São Paulo presenciar o casamento dele. Atualmente, tem dois filhos com a esposa.
Em 2010, foi a vez de um casal muito próximo abandonar a casa que tinha acabado de reformar no Rio para viver a paz da cidade de Bananal, em São Paulo. Atualmente, ele que é geógrafo, vive tranquilamente com a esposa e o filho, e ainda tem tempo para se engajar em causas ambientais da região.
Dois anos depois, foram duas pancadas! Na semana do meu aniversário, o amigo que é o meu irmão mais velho, conselheiro e refúgio nos momentos mais difíceis. Ele deixou uma ascendente carreira no Rio de Janeiro, após aceitar um convite para trabalhar no Distrito Federal. Hoje em dia, é uma referência em uma determinada área da saúde mental. Ainda em 2012, outro casal de amigos decidiu que aqui não era mais um bom lugar. Os dois abandonaram empregos em grandes empresas para viver em Londres. Há poucas semanas, nasceu a primeira filha deles, uma linda princesa londrina!
Em 2014, outro grande amigo muito importante na minha história de vida, e que durante a década de 1990 era o meu ídolo, pois foi um dos artistas mais influentes do cenário underground carioca. Deixou a cidade que um dia viu sua foto estampada nos cadernos de cultura dos jornais para montar uma pousada na pacata cidade de Cunha, em São Paulo. Além de cuidar da bela pousada com temática musical, seu hobby é fazer apresentações em outros estabelecimentos, tocando e cantando canções de artistas que o influenciaram.
Em 2015, a mulher que foi a minha primeira grande amiga. Depois de passar por um sombrio período de depressão, ela desconfiou que a sua cura poderia estar no aeroporto. Deixou toda a tristeza pra trás e foi ser feliz na Colômbia. Nos falamos há alguns dias. Ela está mais feliz do que nunca, prosperando profissionalmente e já preparando o segundo passo da sua busca pela felicidade: Europa.
No ano de 2016, foi a vez da minha então namorada. Ela é natural de Jacareí, uma cidade do interior de São Paulo. Após 7 anos morando no Rio de Janeiro, não aguentou mais. Após ter sintomas de síndrome do pânico, descobriu durante alguns dias em sua terra natal que a cidade maravilhosa estava afetando a sua saúde.
No ano passado, mais um casal, do qual sou padrinho de casamento. Ele, um dos engenheiros de telecomunicações mais requisitados na implementação da telefonia móvel no país, não conseguia mais usufruir dos bens que conquistou com muito suor. Apaixonado por motos esportivas, após ser rendido por bandidos na porta de casa, não tinha mais tranquilidade para curtir o seu hobby. Vendeu tudo e foi morar com a esposa no Texas.
Mas 2018 já começou com uma grande surpresa. Desta vez, é o meu melhor amigo, que há mais de 20 anos é o meu irmão de alma. O cara com quem no início da adolescência dividi composições e as paixões por música e automobilismo. Ele é a pessoa com quem mais briguei na vida, por isso acredito que também seja a que mais me conhece. Quando voltamos a nos falar, depois de um período de 3 anos brigados, nós dois estávamos em processo de irmos morar com nossas companheiras, mas não sabíamos que as duas tinham o mesmo nome. Só que a dele, com quem está casado e me deu um sobrinho, nasceu exatamente no mesmo dia que eu: 10/03/1984.
No grupo de whatsapp dos amigos de infância, ele sempre fala: “eu já sabia que o Renato daria essa resposta”. Quando achamos que o outro não está bem, não mandamos mensagem perguntando se está tudo certo. Telefonamos logo um pro outro, pois o “alô” já responde a nossa dúvida.
Porém, a história se repete: ele vai trocar um ótimo emprego numa multinacional para proporcionar mais qualidade de vida à família, na cidade de São Carlos, em São Paulo. Hoje, coube a mim o papel de marcar a despedida com os amigos de infância. Logo depois, coincidentemente, a rádio que eu estava ouvindo tocou a música ‘Big Empty’, do Stone Temple Pilots, nossa segunda banda favorita, pois a primeira dele é o Pearl Jam e a minha é o Soundgarden. Na hora, mandei pra ele o print do aplicativo da rádio com o nome da música que estava tocando. E foi assim a minha quarta-feira de cinzas, um verdadeiro ‘Big Empty’ ou ‘Grande Vazio’ em português.
Há um senso comum entre todos os meus amigos que tiveram coragem de partir: nenhum deles cogita a possibilidade de voltar a morar no Rio de Janeiro.



Minha profissão me faz enxergar tudo com olhar crítico. A cada dia fico mais desanimado com o que presencio no Rio de Janeiro. Não são apenas os políticos, basta ter um evento como o carnaval, para perceber que uma parte da população merece os governantes que tem. O rio não dá mais certo.
Desde 2009, quando meu primeiro amigo saiu do Rio, fui vítima de um sequestro relâmpago, depois tive o meu carro e pertences roubados enquanto estacionava num dos pontos mais movimentados da noite carioca. E por último, em janeiro do ano passado, fui assaltado e agredido a caminho do trabalho, às 04 h da manhã. Além disso, também sofri dois furtos durante a cobertura de grandes eventos. Já contei alguns desses casos aqui no blog.
Enquanto escrevia este texto, um amigo postou no Facebook que estava acontecendo mais um arrastão no Túnel Santa Bárbara, que é uma das vias mais importantes da cidade.
Como as minhas amizades mais recentes ainda estão por aqui, seguimos confraternizando em nossas casas, onde nos sentimos um pouco mais seguros e menos afetados pela desordem e a falta de educação de uma parte da população.

terça-feira, 25 de março de 2014

Um café e uma canção

Éramos apenas dois amigos que se divertiam fazendo paródias em 1996. No início dos anos 2000, foram muitas tardes de composições e planos. Em 2004, o primeiro, único e último show. No ano seguinte, músicas novas, ensaios e muitas tentativas de encontrar a formação ideal. Em 2006, a última briga (que não foi a primeira e nem a segunda), e um hiato silencioso de 3 anos.
O Marcelo Pedra me disse uma vez que não se mede um artista pelo alcance de sua arte. Após receber este conselho, me senti um verdadeiro artista. Mesmo não cantando bem, tentei por muito tempo ser um ídolo para mim mesmo. E consegui isso escrevendo boas letras. Mas a insistência de tocar apenas com grandes amigos, limitou a realização da única vontade que eu tinha na época: tocar por aí, pra 100, 20 ou 5 pessoas...
Mas desde o início, compartilhei este sonho com o meu melhor amigo. Eu e Thiago éramos como Bono Vox e The Edge ou Layne Staley e Jerry Cantrell. Eu ligava avisando que tinha uma letra nova, e ele vinha aqui em casa com o violão. Eu apresentava a letra tentando explicar como tinha pensado a melodia, deixava a folha de papel com os rabiscos na frente dele e ia fazer outra coisa. Quando voltava depois de alguns minutos, muitas das vezes após fazer um café, ele me surpreendia com a canção mais bacana que poderia ter sido feita com a minha letra.
Tal sintonia era favorecida por alguns fatores: ele já era meu melhor amigo havia quase duas décadas, descobrimos a música juntos, nossos artistas preferidos eram praticamente os mesmos e ele sabia quais eram as inspirações das minhas letras.
Nunca cogitei participar de qualquer projeto musical sem o Thiago. Quando comprei a bateria, em abril de 2011, a minha esperança era que um dia eu conseguiria levá-lo novamente ao estúdio, como guitarrista ou pianista, já que na época ele tinha trocado as cordas pelas teclas.
Foram 3 anos de tentativas mal sucedidas. A vida de executivo e pai de família não estava permitindo esse reencontro. Mas até que há duas semanas, dois dias após o meu aniversário, recebi a seguinte mensagem no whatsapp: "Marca o estúdio."
O "rock" aconteceu ontem a noite. Ele de volta a guitarra e eu pela primeira vez tocando bateria num estúdio. Tentamos algumas músicas, autorais e covers. Mas apenas uma fluiu bem: Plush, do Stone Temple Pilots. Canção que faz parte do nosso top 3.


Mais do que uma boa desculpa para encontrar o meu melhor amigo, o ensaio serviu para relembrarmos as divertidas histórias das tardes de composições, reuniões e ensaios.
Outros grandes amigos participaram do nosso sonho, e voltei para casa com muita saudade deles. Ventura está morando na Inglaterra, Claudinho em São Paulo e Gabriel pouco vejo.
A Turbinol fez apenas um show, a Invictus nunca saiu do papel, mas posso afirmar que nos divertimos mais do que o Rolling Stones em toda carreira.

Show da Turbinol em outubro de 2004: Thiago, Yuri, eu, Gabriel e Claudinho

Não registramos com imagens o nosso reencontro musical, mas as bolhas que ficaram nos meus dedos provam que ainda sou um artista.

domingo, 22 de setembro de 2013

Quase famosos

Na última quinta-feira, assisti pela primeira vez o filme "Quase Famosos", que conta a história de um adolescente que acompanha uma turnê de uma banda de rock como correspondente da Revista Rolling Stone. Nas últimas semanas, tenho feito um trabalho de resgate do material da banda Mandril, por isso me identifiquei tanto c5om o rapaz do filme.
Mas esta história começa muito antes, para ser mais preciso, no ano de 1989. Eu era uma criança com apenas 5 anos, mas já subia na janela do apartamento para ver os adolescentes que tocavam rock no terraço de uma casa vizinha. Era a Banda Não, que logo depois virou Piu-Piu e Sua Banda. Em 1993, o Piu-Piu e Sua Banda já estava entre os 3 principais grupos de música independente do Rio de Janeiro. Já era rotina ver Rogério Piu Piu (voz), Marcelo Pedra (baixo), Tavinho Menezes (guitarra), Alexandre Cegão (percussão)  e Fabio Brasil (bateria) em jornais e programas de TV.
Antes de completar 10 anos, comecei a me aproximar deles, sempre interessado na música, que naquele momento já era uma paixão incontrolável. Como os dois líderes da banda eram meus vizinhos, e a mamãe os conhecia desde quando eram crianças, nunca foi problema o fato de serem 13 anos mais velhos. Eu já era o "mascote" da banda em 1994, pois participava de praticamente todas as reuniões. Em 1996, fui pela primeira vez em um show do Piu-Piu e Sua Banda. O tão esperado disco só saiu em 1997, muito depois de todas as outras bandas contemporâneas. Lembro com clareza da emoção que senti ao ouvir uma música do disco no programa Cidade do Rock, da Rádio Cidade. Mesmo com a boa repercussão do CD no cenário musical carioca, a banda já não era prioridade para os integrantes, e chegou ao fim após um show na Fundição Progresso, em 1998. No livro "Esporro", lançado em 2011 pelo jornalista Leonardo Panço, o Piu-Piu e Sua Banda é o grupo com maior destaque na publicação, que conta detalhes da "geração Garage" do rock carioca.
Com o fim da banda, fiquei órfão da parte mais bacana do início da minha adolescência, pois o contato com o pessoal da banda me fez transitar em dois grupos de amigos na vila onde cresci: os amigos da minha idade (que citei no post anterior) e o pessoal que tinha em média 10 anos a mais do que eu.
Mas Rogério Piu-Piu e Marcelo Pedra se reuniram novamente em 2000. Deste reencontro surgiu o Mandril, uma banda com proposta totalmente diferente do Piu-Piu & Sua Banda.
A primeira formação do Mandril era praticamente a mesma do grupo anterior, com a adição de uma segunda guitarra por Nelson Burgoz Leroux e de teclado por Renato Rocha.
Era a chance de voltar a me divertir nos shows, ensaios e reuniões. Em 2001, o grupo lançou o primeiro CD demo, chamado Duodeno. Logo após o lançamento, três integrantes saíram da banda. Fabio Brasil e Renato Rocha também tocavam no Detonautas, que na época estava começando a fazer sucesso. Já o Nelson estava iniciando um projeto solo, o Nelson e os Gonçalves. A bateria foi assumida por PC Stocc (ex- Unabomber), a segunda guitarra por Marcelo Pulga e o teclado foi abolido do som da banda.
Em 2002, o Mandril participou da primeira edição da coletânea "Tributo ao Inédito", que reuniu os 10 principais artistas independentes da cena musical carioca. Porém, uma semana antes do show de lançamento da coletânea, o Rogério Piu-Piu deixou a banda. Ele queria dedicar-se mais a sua filha e andava insatisfeito com a rotina de shows, ensaios e gravações. O vocalista Dias Jr. foi aprovado no primeiro teste. Era o início da principal formação do Mandril. Neste época, eu tinha 18 anos, e estava mais conectado a banda do que em qualquer outro período. Eu era o sexto integrante: empresário, assessor, roadie e fã número 1. Como eu já apresentava os shows do Mandril, comecei a apresentar também os shows de divulgação do Tributo ao Inédito.
Com a saída do Rogério Piu-Piu, a minha amizade com o Marcelo Pedra se fortaleceu. Hoje em dia, vejo nele o meu irmão mais velho. PC Stocc e Dias Jr. também entraram em pouco tempo na lista das pessoas mais queridas da minha vida.
Em 2004, a cena da música independente começou a perder força no Rio de Janeiro, e o Mandril fez menos shows do que nos anos anteriores. Em março de 2005, o Mandril fez a última apresentação. Após alguns meses, o vocalista Dias Jr. mudou-se para Fortaleza, acabando assim com qualquer esperança de retorno da banda.
Foram dezenas de shows, madrugadas de ensaios, reuniões, viagens e muita, mas muita diversão.
O Mandril tinha um problema grave. A banda era tão ligada na parte musical, que a internet nunca foi utilizada como meio de divulgação do trabalho. A banda gravou dois CDs e participou das duas primeiras edições da principal coletânea de música independente da década passada, mas mesmo assim era impossível achar uma música da banda na internet. Após tantos anos de ostracismo virtual, criei uma página no Facebook e uma conta no YouTube, onde disponibilizei todas as canções da banda. Além das músicas dos dois discos, também disponibilizei versões exclusivas e músicas inéditas. Link da conta no YouTube: http://www.youtube.com/channel/UC_jar90gocnC9ChRo2mYxTQ

O Reencontro:
O Dias Jr. é o fã nº 1 do Faith No More no Brasil, e os integrantes do grupo se reuniram em 2009, após 11 anos separados. O Rio de Janeiro estava no calendário da turnê de retorno. Fiquei sabendo que o Dias Jr. viria ao Rio para assistir o show, então comentei com o Marcelo Pedra a ideia de fazer um churrasco de reencontro dos integrantes do Mandril. O Marcelo gostou da ideia e foi mais além: um reencontro entre os músicos que participaram das principais formações do Piu-Piu & Sua Banda e do Mandril.
Como aconteceu em 02 de novembro de 2009, dia de finados, o evento ganhou o título de "o rock não morreu". Mas naquele dia, o sentimento de amizade que se mostrou imortal. O som começou a rolar às 10h e só terminou às 19h. Quatro guitarristas, três bateristas, dois baixistas e vários vocalistas. Foi sem dúvida o dia mais alegre da minha vida. Revisitamos com canções os nossos últimos 20 anos.



Um fato curioso daquela data é que dias antes eu tinha terminado um relacionamento, e estava marcado um encontro para uma possível reconciliação na noite daquele dois de novembro. Quando a encontrei, ela me viu mais feliz do que em qualquer outra ocasião. Eu estava totalmente sem voz, com um sorrisão de orelha à orelha. Foi difícil explicar o motivo de tamanha alegria logo após o término, mas a noite acabou bem.
No próximo domingo, dia 29, faremos um novo reencontro com muita música e boas histórias.
Nem todos poderão comparecer, pois três integrantes da última formação do Mandril estão morando fora do Rio: Marcelo Pedra vive em Brasília, pois agora é consultor do Ministério da Saúde. PC Stocc é geógrafo do Inea e mora em Bananal-SP e o Dias Jr. é um dos principais músicos da noite de Fortaleza. Isso mesmo, os meus três maiores amigos desta história. Mas estamos juntos sempre que é possível.

Por causa dessa experiência com a banda, durante boa tarde da minha adolescência eu fiz questão de ser precoce e inovador.
Nos anos de 2001 e 2002, eu conciliei o Mandril com mais duas atividades, que juntas ocupavam todo o meu tempo. Eu era o coordenador de Crisma mais jovem da minha paróquia, que tinha o segundo maior número de crismandos do Rio de Janeiro. Como também já citei anteriormente neste blog, eu participava do grêmio do colégio. No final de 2001, participei de uma chapa de protesto na eleição para a direção do colégio. De acordo com um repórter que entrevistou os integrantes da chapa na época, outro caso semelhante só tinha acontecido na Itália, em 1974. Criamos um grande problema para a Secretaria Estadual de Educação e fui reprovado por falta.
Gastei boa parte da minha jovialidade e disposição naquela época. Quem me vê agora, após 10 anos, sem disposição, reclamando de dores no joelho, na coluna, mal humorado, pode até não acreditar que tive uma adolescência tão bacana e agitada.
Me imagino daqui a alguns anos, contando para um descendente como foi possível ter uma juventude fantástica sem vícios ou grandes problemas, apenas escolhendo as amizades certas.

sábado, 20 de julho de 2013

A máquina do tempo existe

Nos últimos anos, recebi muitas mensagens e telefonemas no dia 20 de julho, mas nunca tinha comemorado esta data, como acontece no aniversário, Natal ou dia dos namorados.
Mas hoje, o dia do amigo foi muito além de frases copiadas. A Jornada Mundial da Juventude fez com o que o Claudinho viesse ao Rio de Janeiro, após quatro anos morando em Sampa.
Vi nessa celebração ecumênica a oportunidade de reunir a turma que começou a andar junta durante a Crisma, mas que se separou na fase adulta.
Liguei, enviei torpedos e mensagens no facebook. Recebi seis respostas positivas e apenas uma negativa, pois esse amigo já estava com uma viagem marcada.
Eu, Thiago, Sanmer e Cabeça somos amigos de infância. Conhecemos Fabio, Gabriel e Claudinho durante a Crisma da Paróquia Divino Salvador, em 1999. Com eles eu conheci a noite, fiz as primeiras viagens, fui aos primeiros shows, tomei os primeiros chopps, azarei as primeiras menininhas, montei uma banda. Enfim, conheci a maioria dos prazeres da vida. Mas o tempo passou, teve gente que se casou, um até se separou. Outros são pais e o mais novo foi morar em outro estado. Desde 2005, não conseguimos mais conciliar nossas agendas. Na época, começamos a nos dedicar a Engenharia, Estatística, Economia, Relações Internacionais, Informática e Jornalismo. Admito que houve algumas divergências desnecessárias neste período, mas não somos mais meninos e nada conseguiu apagar o que vivenciamos.
Às 3 horas da tarde do dia 20 de julho de 2013, estávamos reunidos novamente.
Começou com o almoço, depois vieram os chopps e as histórias inesquecíveis da melhor fase das nossas vidas.

Nossas vidas mudaram muito, mas os sorrisos e os abraços continuam os mesmos.

É claro que esse reencontro não poderia chegar ao fim sem nenhuma pérola para guardarmos na lembrança: 
A senhora se aproxima da mesa e pergunta: "Vocês são da jornada?"
O amigo responde: "Sim, da jornada nas estrelas." 
Quem nos conhece já deve saber quem foi o autor da resposta.
Mas esse momento me fez lembrar do saudoso Douglas Nunes, que faleceu vítima de um câncer em 2009. Ele foi meu vizinho nos anos de 2006 e 2007, mas neste curto período, ele fez parte das raras reuniões do grupo, que na época já não contava mais com o Sanmer, Thiago, Gabriel e Max.
O Douglas era da Marinha, e por causa do corte de cabelo uma senhora bem idosa comentou no ônibus: "O seu cabelo parece com o de soldado." Ele olhou bem sério para a senhora e respondeu: "Eu sou soldado, o soldado universal!" Eu tive uma crise de risos. A partir daquele momento, ele deixou de ser o Douglas. Saudade do Soldado Universal... 

Já faz duas horas que o nosso encontro acabou, mas ainda estou embasbacado, com os olhos marejados e um sorriso infantil no rosto.
O dia do amigo nunca mais será o mesmo.