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quinta-feira, 18 de maio de 2017

C..., é o meu chapéu!

"Caralho, é o meu chapéu!"
Me desculpem pelo palavrão, mas não consegui pensar em outra frase para começar este texto.
Esta foi a mais pura expressão do que senti no dia 12 de dezembro de 2007. Segue o vídeo:

Eu era um pré-adolescente em meados da década de 1990, mas já sabia qual gênero musical me acompanharia para o resto da vida. E o Chris Cornell, através do Soundgarden, foi a personificação da minha paixão pela música. Da mesma forma e na mesma época, surgiram as outras duas paixões que carrego intensamente até hoje: automobilismo, personificada na figura do piloto canadense Jacques Villeneuve e o rádio, representada pelo 102,9 FM da extinta Rádio Cidade e do então jovem locutor Rhoodes Lima, que atualmente é o maior narrador de MMA do país, e sempre foi a minha principal referência profissional. Essas foram as minhas paixões de adolescente. Que me perdoem as namoradinhas da época (admito que não foram muitas). Na verdade, minha vida amorosa só ficou mais agitada quando a Rádio Cidade chegou ao fim pela primeira vez, o que acabou coincidindo com o ano da aposentadoria do Jacques Villeneuve. Foi aí que começou a sobrar tempo aos fins de semana para outras coisas, como namorar. Já na fase adulta, eu sempre falava para as minhas namoradas: "Você é prioridade até o assunto chegar ao Chris Cornell ou ao Jacques Villeneuve". Tanto que nesta manhã, uma das primeiras mensagens que recebi sobre a morte do Chris Cornell, foi da minha ex-esposa.
Pouco tempo após eu descobrir a banda, que para mim é a melhor da história, o Soundgarden anunciou o fim das atividades, no dia 09 de abril de 1997 (que também é o dia do aniversário do Jacques Villeneuve). Achei que era o sepultamento do sonho de assistir ao incrível quarteto de Seattle ao vivo, pois o grupo ainda não havia tocado no Brasil.
Mas não demorou até o Cornell lançar um bem sucedido disco solo. Mas a grande surpresa veio mesmo em 2002, quando ele montou o Audioslave com ex-integrantes do Rage Against The Machine. Continuei acompanhando, comprando discos, mas sem o mesmo entusiasmo que tinha na época do Soundgarden. Em apenas cinco anos, a banda lançou 3 discos. Após o fim do Audioslave, em 2007, Chris Cornell saiu em turnê cantando músicas da carreira solo, do Soundgarden, do Temple Of The Dog e do Audioslave. E foi nesta turnê que Cornell desembarcou pela primeira vez em terras tupiniquins. Acompanhado pelos excelentes músicos Peter Thorn (Guitarra), Yogi Lonich (Guitarra), Corey Mc Cormick (Baixo) e Jason Sutter (Bateria), Cornell passou a limpo os seus 25 anos de carreira, no palco do Citibank Hall. Eu não poderia estar em outro lugar que não fosse a primeira fila. A minha principal identidade visual na adolescência, era a utilização de chapéus australianos. Eu tinha uma coleção, de várias cores. Como no início dos anos 2000, eu participei do cenário da música independente carioca na produção de shows do "Mandril" e na apresentação de boa parte dos shows das 3 primeiras edições da coletânea "Tributo ao Inédito", os conhecidos me encontravam nos shows por causa do chapéu. Então, no dia 12 de dezembro de 2007, resolvi tirar do fundo da gaveta o chapéu vermelho, que já estava aposentado há alguns anos. Percebendo o meu estado de êxtase (ou total descontrole), o Cornell algumas vezes veio em minha direção cantando, me encarando a poucos centímetros de distância. Até que no meio do show, resolvi jogar o meu chapéu no palco (nunca entenderei o motivo). Ele pegou o chapéu, pendurou no pedestal e começou a cantar a música "Be Yourself". Após o fim da canção, ele me devolveu o chapéu. Para completa compreensão do que foi este momento, que inspirou o título desta publicação, é necessário que você assista o vídeo do início do texto.
Porém, minha história com Chris Cornell não parou por aí. No final de 2009, ele anunciou a volta do Soundgarden e em 2012, a banda lançou um disco com músicas inéditas, o que não acontecia desde 1996. Em 2013, nos encontramos novamente. Desta vez, num formato mais intimista, em um show acústico no Vivo Rio. E finalmente em 2014, realizei um dos maiores sonhos da minha vida, que era assistir a um show do Soundgarden. Essas experiências foram detalhadamente contadas em outras publicações aqui do blog. Para quem quiser saber, seguem os links:




Peço licença para repetir apenas um trecho do texto que publiquei em 2013, pois é uma das histórias mais lindas que já tomei conhecimento:

"A minha admiração pelo Chris Cornell não é apenas por considerá-lo o melhor cantor da história do rock, vocalista da minha banda preferida ou por ser o músico mais influente do movimento grunge (essa afirmação está explícita no documentário Peal Jam Twenty). Em 2009, o Chris teve a atitude mais comovente que já vi por parte de um artista. Segue a notícia  publicada no site Cifra Club, no dia 21 de abril de 2009:
"Chris Cornell disponibilizou para download a música , feita em parceria com Rory de La Rosa, um fã do cantor.
De la Rosa perdeu a filha Ainslee, que tinha seis anos, vítima de câncer no ano passado. Pouco depois, ele foi diagnosticado com a mesma doença.
O fã quis entrar em contato com o cantor para dizer como a música de Cornell havia sido importante em sua vida e na ligação que ele tinha com sua filha.
O cantor se comoveu com a história e respondeu a mensagem. A correspondência dos dois resultou em um poema escrito por Rory de la Rosa que acabou transformado em uma canção.
I Promise it’s Not Goodbye pode ser baixada no site oficial do cantor gratuitamente. Na página há também um link para quem quiser fazer doações a Rory de la Rosa e sua família em memória de Ainslee e para ajudar com as contas do tratamento médico. "
As fotos do vídeo são da pequena Ainslee.

Já assisti este vídeo algumas vezes e nunca consegui chegar ao final sem estar com os olhos marejados."

Diferente do que acontecia anteriormente, na manhã deste 18 de maio de 2017, chorei mais uma vez ouvindo a canção, mas o motivo foi outro.
Depois de uma longa e turbulenta noite de trabalho, acordei cedo para saber se o Michel Temer já havia renunciado. Mas em meu celular, já estava a mensagem de um grande amigo informando que uma parte importante da minha história havia morrido. Foi apenas a primeira de muitas mensagens. Todas as pessoas disseram que foi impossível não lembrar de mim quando souberam da notícia.
E o chapéu? Eu sempre fazia a estúpida brincadeira dizendo que quando o Cornell morresse, ele ia valer um bom dinheiro. Não poderia imaginar que esse dia chegaria tão precocemente. E é claro que não há dinheiro no mundo que pague a lembrança de um dos momentos mais incríveis da minha vida.

Me esforcei para este texto não soar fúnebre, mesmo estando com o coração devastado, pois o Cornell me ofereceu a sua arte, que sempre foi sinônimo de felicidade, euforia e boas lembranças.
Obrigado por ter feito minha vida mais feliz!
Descanse em paz, cara!


I promise it's not goodbye!

sábado, 5 de abril de 2014

O dia que quase matou o rock

Nas últimas duas décadas, vi muitas pessoas negando que um dia foram fãs do Nirvana, mas nunca entendi o motivo.
Eu tinha 10 anos em 5 de abril de 1994, mas sabia que a música perdia um grande artista naquele dia.
Foi após ouvir a música "Lithium", que tive certeza que o rock seria a trilha sonora da minha vida.
Quando o Nirvana apareceu com a guitarra desafinada, letras escatológicas e roupas dignas de moradores de rua, o cenário do rock mundial estava tomado por homens de cabelos longos bem tratados, olhos pintados, roupas de couro apertadas e solos para todos os lados. Na mesma Seattle onde surgiu o Nirvana, o Chris Cornell cantava no Soundgarden usando argolas enormes nas orelhas até 1990. Já Jeff Ament e Stone Gossard, fundadores do Pearl Jam, tocavam no Green River com roupas parecidas com as dos integrantes do Skid Row.
No Brasil, a juventude estava decepcionada e descrente. Após passar boa parte da década de 1980 cantando hinos contra a ditadura, o primeiro presidente eleito foi o Fernando Collor. O Titãs não perdeu tempo e conseguiu capturar toda a vibração rebelde vinda de Seattle no ótimo álbum "Tudo Ao Mesmo Tempo Agora", lançado em 1991.
No início da década de 1990, a juventude queria sair dos padrões, gritar sem se preocupar em passar mensagens. Era uma forma de descarrego, colocando para fora toda a fúria acumulada desde o final da década de 1960, quando a juventude tinha expressado suas ideias através da música pela última vez.

Melhor registro em vídeo já divulgado de um show do Nirvana

Poucas vezes um movimento musical foi tão legítimo e influente como o grunge, e o Kurt Cobain foi o principal responsável por isso.
Se estivesse vivo, não sei se a angústia causada pela fama e os vícios deixariam o Kurt ter feito algo relevante após 1994. Mas ele merecia ter vivido mais para presenciar sua influência nas gerações seguintes do rock.
Alguns só lembram do cara que era viciado em heroína, que mostrou o pênis na TV a durante a transmissão do Hollywood Rock. 
Eu lembrarei para sempre como a principal voz da minha geração!

Uniformizado de roqueiro num Natal da década de 1990

PS: O movimento grunge ficou mundialmente conhecido através de 4 bandas: Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains. Depois de 8 anos da morte de Kurt Cobain, outro problemático vocalista  da era grunge morreu por causa de problemas com drogas, o sombrio Layne Staley, do Alice in Chains. O corpo dele foi encontrado por policiais no seu próprio apartamento já entrando em estado de decomposição, no dia 19 de abril de 2002. Após a perícia, os legistas determinaram a data certa da morte do músico. Adivinhem? 5 de abril de 2002.
Triste coincidência...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Gênios são insubstituíveis

Nos últimos dois meses, alguns amigos fizeram a mesma pergunta: "Vai no Lolla?" Mas deixei todos sem resposta até agora. O motivo da pergunta é óbvio, pois o Soundgarden tocará pela primeira vez no Brasil, no último dia do Lollapalooza, que será novamente realizado em Sampa no primeiro fim de semana de abril.
Basta conviver um pouco comigo, para saber que amo o Soundgarden (Amo sim. Tenho pensado bastante na diferença entre amor e paixão. Cheguei à conclusão que costumo dizer que sou apaixonado por coisas que na verdade amo. Então, amo minha família, meus amigos, meus gatos, minha profissão, rádio,  Fórmula 1 e música. Essa reflexão vale um post num futuro próximo). É de longe a minha banda preferida, e espero a oportunidade de assisti-la ao vivo há quase duas décadas.
Tenho tudo que a banda já lançou, incluindo CDs que só foram lançados no exterior e a limitada e numerada versão Super Deluxe do box Telephantasm, com vinis coloridos, CDs, DVD,  encarte e pôsteres.


Mas dias após a minha incontrolável alegria pela confirmação da vinda da banda ao país, uma notícia me deixou confuso: o baterista Matt Cameron anunciou que ficaria fora da turnê do Soundgarden em 2014 para cumprir compromissos do lançamento do novo disco do Pearl Jam. Ele começou a tocar no Pearl Jam em 1998, um ano após a separação do Soundgarden. Quando a sua primeira banda voltou à ativa em 2010, ele tentou conciliar os compromissos dos dois grupos, que estão entre os maiores da história do rock mundial das últimas duas décadas. Mas após 3 anos, o músico de 51 anos, abriu mão da parte final turnê do Soundgarden. Matt Cameron disse no comunicado que continua sendo um integrante oficial do grupo, e que será substituído apenas neste ano.
Assisti dois shows do Peal Jam com o Cameron nas baquetas. Mas no PJ ele é um ótimo baterista, que poderia ser substituído por outro ótimo baterista. No Soundgarden ele é único. Ele brinca com o tempo das músicas, é algo extraordinário.
Esperei tantos anos por esse show, para agora assistir a banda sem o meu músico favorito. Eu poderia usar diversos adjetivos para justificar minha decepção, mas apenas duas informações bastam: tenho uma bateria por causa dele e acho improvável que outro baterista consiga executar razoavelmente as músicas do Soundgarden.
Matt Cameron é GÊNIO!


Gênios são insubstituíveis. Da mesma forma que o Gilles Villeneuve não teve substituto na Fórmula 1, Haroldo de Andrade não teve substituto no rádio e o Edgard Scandurra não pode ser substituído no retorno do Ira! (motivo para um novo post).

Por que ainda não respondi a pergunta sobre o festival? Mesmo tendo como vocalista o meu cantor favorito (já foi post do Campo Minado: Leia aqui), receio voltar de São Paulo com a certeza que as melhores recordações audiovisuais que tenho da banda estão no YouTube.

Ps: Como ainda não tenho um filho, homenageei meu ídolo dando o nome dele ao meu gato mais novo.